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Foto de Márcio Alexandre
Sinpoapar rebate declarações de Richa sobre investigação do atentado à caravana de Lula

O Sindicato dos Peritos Oficiais e Auxiliares do Paraná (Sinpoapar) considera descabidas e equivocadas as declarações do governador Beto Richa à Folha de São Paulo – publicadas nesta quinta-feira (29) – a respeito das investigações e perícias relativas ao ataque a tiros à caravana do ex-presidente Lula no interior do estado, no último dia 27. Já na primeira pergunta da reportagem, o governador mostra total desconhecimento das funções das polícias, quando responde que a perícia é atribuição da Polícia Civil, quando é, na verdade, trabalho da Polícia Científica. No Paraná, é a Polícia Científica quem realiza as perícias oficiais de natureza criminal.

O governador também foi infeliz quando disse que o delegado Wilkison Arruda (que estava de plantão no dia da ocorrência) mentiu, ao afirmar que a demora na chegada dos peritos ao local se deve à precariedade do Instituto de Criminalística do Paraná, já que o perito que atendeu a ocorrência estava em Guarapuava, a cerca de 120 km de distância de onde estavam os ônibus da caravana. O Sinpoapar atesta que a declaração de Arruda é verdadeira: havia naquele dia e sempre há somente 1 perito oficial para a atender a seção técnica da Criminalística de Guarapuava, que abrange 27 municípios.

O único perito de plantão em Guarapuava teve que se deslocar 120 km para o local da ocorrência, sozinho, e o atendimento não demorou mais apenas porque não havia outra ocorrência em andamento. O profissional acionado para atender a ocorrência no dia 27 de março é lotado em Curitiba e estava cobrindo plantões em Guarapuava por falta de pessoal no quadro daquela seção técnica.

À reportagem da Folha, Beto Richa ainda afirma que liberou “a contratação de 28 técnicos, médicos legistas e tudo”. Mesma declaração dada à imprensa no dia 15 de março, quando da inauguração do novo Instituto Médico Legal (IML) de Curitiba, ocasião na qual teria falado que nomeou 28 peritos – número anunciado no dia 7 de março. Isso não procede: a imprensa está sendo desinformada. Nenhum dos aprovados no concurso de 2017 foi nomeado até o momento. E, quando forem, será um número insuficiente de peritos oficiais e auxiliares para o atendimento de todo o estado. A Polícia Científica vem trabalhando com apenas 16% de seu quadro – índice que vem baixando ano a ano, devido às aposentadorias, desligamentos e afastamentos.

Os peritos que o governador promete nomear não suprirão nem de 20% dos que se aposentaram apenas no último ano. Atualmente, o quadro de peritos oficiais no estado é menor do que na década de 1980. Santa Catarina, por exemplo, tem 2/3 da nossa população e mais peritos que o Paraná: lá existem 265 na ativa, contra 151 peritos para atender os 399 municípios paranaenses. A situação só tende a piorar, com as aposentadorias previstas para este ano e o desligamento do pessoal contratado emergencialmente. O governador sabe há muito tempo o que é preciso fazer: desde 2015 a instituição manda relatórios e protocola pedidos de contratação de pessoal.

Reconhecimento O Sinpoapar reconhece que a gestão Beto Richa inaugurou novos prédios do IML e entregou novas viaturas para a Polícia Científica – como declarado pelo governador à Folha de São Paulo nesta entrevista. Porém, as 9 seções técnicas do Instituto de Criminalística no interior do estado e a sede da capital sofrem com inundações e infiltrações, e falta de materiais básicos, como pilhas e embalagens. O Fundo Rotativo da Polícia Científica (verba liberada para compra de bens de consumo e realização de serviços emergenciais) ainda não foi liberado. Papéis e documentos são molhados e provas são perdidas. Aparelhos básicos não podem ser usados por falta de manutenção.

Salário O Sinpoapar ainda repudia a tentativa do governador de desviar o assunto da entrevista, desmerecendo as críticas feitas por Wilkison Arruda sobre a falta de investimentos no quadro de pessoal da Polícia Científica, quando ironizou o fato de que alguns funcionários públicos “têm mania de querer o paraíso” e sugeriu que a reportagem perguntasse quanto é o salário do delegado. Arruda sequer reclamou do seu vencimento em sua declaração. "Se fosse esse o caso, a oportunidade nos permitiria lembrar que os servidores, além das condições de trabalhos comprometidas, ainda estão privados da justa e constitucional reposição de inflação" , finalizou o presidente do sindicato, Alexandre Brondani.

Assessoria de Comunicação
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