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Foto de Pedritta Garcia
Susp entra em vigor com pouca adesão dos estados

Das 27 unidades federativas que deveriam estar integradas no Sistema Único de Segurança Pública (Susp), apenas 11 compartilham dados na plataforma do governo federal. Aprovado em 11 de junho, o Susp entrou em vigor no dia 12 de julho. Todos os estados são obrigados a aderir à integração. A expectativa do Ministério Extraordinário de Segurança Pública é de que, até 2019, os dados do país estejam unificados.

De acordo com o ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, as unidades da Federação que ainda não aderiram ao compartilhamento e à unificação das informações terão um prazo para se atualizarem. No entanto, por lei, se houver resistência, os estados poderão sofrer sanções, como corte de repasse de recursos do Fundo Nacional de Segurança Pública.

O sistema unificado prevê a divulgação de um boletim nacional de ocorrência, a ser disponibilizado virtualmente por cada estado, a criação do Conselho Nacional de Segurança Pública e da Política Nacional de Segurança Pública. Para fazer a integração, o governo dispôs de duas alternativas: utilizar a ferramenta do Sistema Nacional de Estatísticas de Segurança Pública (Sinesp) ou incluir a própria base de dados na plataforma.

Dos 11 estados onde já estão integrados, nove disponibilizam as informações por meio do programa oficial. “O país não tinha um sistema nacional, tampouco uma política nacional de segurança. Esse trabalho envolverá União, estados e municípios”, acrescentou. A principal dificuldade dos estados em aderir ao novo sistema, para o ministro, é a coleta em rede e o registro primário.

Jungmann explica que assim como há estado em que todos os dados estão on-line nas delegacias, existem localidades que sequer usam programas virtuais. Para fazer essa transição, o titular da pasta afirmou que o governo pode ajudar financeiramente “para acelerar o desenvolvimento on-line”.“O sistema sinalizará quando uma pessoa estiver sendo procurada, o histórico penal dela e o que aconteceu. Isso vai permitir um salto em termo de produtividade no combate ao crime e à integração das nossas polícias”, comemora o ministro.

Até o momento, já foram gastos pelo governo R$ 30 milhões com o Susp. Segundo a pasta, cada estado, por sua vez, gasta, em média, por ano, R$ 9 milhões para atualizar o setor informativo e tecnológico local. Na opinião do Secretário Nacional de Segurança Pública, Flávio Basílio, a unificação vai gerar uma “grande economia para o país”.

“A integração não é só o boletim nacional, é preciso haver também dados do sistema prisional e poucos estados contribuem com isso. Queremos uma rede aberta, com transparência. Essa era chegou”, afirmou o ministro. Até agosto, segundo Jungmann, deve ser instalado o Conselho Nacional de Segurança Pública e a divulgação da Polícia Nacional de Segurança Pública.

A resistência em aderir ao sistema integrado pelos estados não é apenas por falta de estrutura, mas uma questão política, analisa o especialista em segurança pública Nelson Gonçalves. De acordo com o professor da Universidade de Brasília (UnB), por ser um ano eleitoral, unidades federativas que contabilizam os dados diferentemente do padrão adotado pelo governo tendem a recuar nesse processo.

“É uma questão política e o governo terá que criar um caminho para articular esse funcionamento. Em 2003, o Estado já havia tentado integrar os dados, mas não houve retorno. Principalmente entre os estados maiores, que já têm consolidados os dados com a própria estratégia. Mesmo sendo lei, Jungmann vai precisar de jogo de cintura para impor isso às unidades. Até porque há uma perspectiva possível de que o governo Temer não continue”, explicou.

Para o sociólogo Antônio Testa, a integração vai levar tempo. No entanto, se funcionar, o país será beneficiado, porque otimizaria o trabalho das polícias e pouparia tempo e dinheiro. “Com o sistema funcionando, vai haver recursos para exigir os procedimentos e pressionará os estados a aderirem. Mas pode ser que seja depois do início de 2019”, ponderou.

Estrutura

Composição: o Susp é integrado pelas polícias Federal, Rodoviária; civis, militares e corpos de bombeiros. Além desses, também fazem parte do Susp: agentes penitenciários, guardas municipais e demais integrantes estratégicos e operacionais.

Funcionamento: como já acontece na área de saúde, os órgãos de segurança do sistema vão realizar operações combinadas. Elas podem ser ostensivas, investigativas, de inteligência ou mistas e contar com a participação de outros órgãos.

Integração: criação de uma unidade de registro de ocorrência policial, além de procedimentos de apuração e o uso de sistema integrado de informações e dados eletrônicos.

Locais: órgãos do Susp podem atuar de forma integrada em vias urbanas, rodovias, terminais rodoviários, ferrovias e hidrovias federais, estaduais, distrital ou municipais, portos e aeroportos.

Estados: a segurança pública continua atribuição de estados e municípios. A partir de agora, a União criará as diretrizes que serão compartilhadas em todo o país.

Fonte: Correio Braziliense
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